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Se você é daqueles que acredita que os sonhos são uma premonição, ou simplesmente tem curiosidade.
O Conteúdo Latente do Sonho.

Esta é, podemos dizer, a primeira parte do processo de sonhar, e se forma da soma de três componentes: as impressões sensoriais noturnas, os pensamentos e idéias relacionadas às atividades do dia (os restos do dia, antes do adormecimento) e os impulsos do id. Vamos explicar cada uma destas partes e como colaboram na formação deste conteúdo.

A primeira, que são as impressões sensoriais do indivíduo que dorme, referem-se às impressões que os sentidos captam mesmo durante o sono. Por exemplo, a sirene de um carro dos bombeiros, a programação de um aparelho de TV, sede, desejo de urinar, a dor de algum ferimento, frio, calor, enfim, tudo o que nossos sentidos puderem captar pode tornar-se parte do conteúdo latente do sonho.

Brenner explica que a maioria dos estímulos sensoriais noturnos não perturbam o sono, nem mesmo a ponto de participar da formação de um sonho. Segundo ele, a grande maioria dos impulsos de nosso aparelho sensorial não tem efeito discernível sobre a mente durante o sono: uma pessoa pode dormir durante uma tempestade, não acordar e nem sonhar com ela, apesar de sua audição estar normal.

Há também que se levar em conta que a impressão sensorial poderá, ao invés de somar-se ao conteúdo latente, provocar isto sim o despertamento imediato da pessoa e não provocar nenhum sonho. Ressalvados estes dois aspectos, as impressões sensoriais captadas durante o sono são pertinentes ao sonho latente.

Além delas, citamos também os restos do dia como participantes em potencial da latência do sonho. Referem-se às preocupações, atividades, envolvimentos do dia, que permanecem ativos no inconsciente durante o sono. Brenner afirma que os exemplos para este tipo de influência são inúmeros: “incluem toda a variedade de interesses e recordações, comumente acessíveis ao ego, com todos os sentimentos de esperança ou medo, orgulho ou humilhação, interesse ou repugnância que os possam acompanhar.”.

Além disso, o conteúdo latente é composto ainda por impulsos do id, que pode ser um ou vários, banidos da consciência pelas defesas do ego (portanto da gratificação direta durante o estado de vigília). Eis como Brenner explica esta presença de impulsos reprimidos da infância no conteúdo latente do sonho: "Uma vez que as defesas mais importantes e de maior alcance do ego contra o id são as que se formam durante as fases pré-edipiana e edipiana da infância, conclui-se que os impulsos do id nesses primeiros anos são o conteúdo principal do reprimido. Por conseguinte, a parte do conteúdo latente do sonho que deriva da reprimida é geralmente infantil ou pueril, isto é, consistente em desejos apropriados à primeira infância ou dela provenientes."

Para Freud, a parte essencial do conteúdo latente é a que provém do id reprimido. Esta é a parte que contribui com maior parcela de energia psíquica necessária ao sonho; sem esta contribuição não pode haver sonho.

O Conteúdo Manifesto do Sonho.

Uma definição muito simples de sonho manifesto é: as imagens do sonho tal como são recordadas ao despertar. Altman aponta como o aspecto mais atraente do sonho manifesto a sua indiferença pela racionalidade, pela lógica e pela coerência. Ele explica sua opinião afirmando que no sonho manifesto a agressão e a violência física se tornam indistintas da paixão erótica, o prazer se funde com a dor, a atração com a repugnância, o horror com o fascínio e a condenação com a aprovação.

Quanto à relação entre o conteúdo latente do sonho e o sonho manifesto, Brenner explica que, dependendo do sonho, esta pode ser muito simples ou muito complexa. Os sonhos da primeira infância são os que nos fornecem a relação mais simples. Primeiro, porque em tais sonhos não precisamos distinguir entre preocupações infantis e habituais, pois são exatamente a mesma coisa. Segundo, porque não se pode ainda estabelecer uma distinção clara entre a parte reprimida e o resto do id, uma vez que o ego da criança muito nova ainda não se desenvolveu a ponto de haver criado defesas permanentes contra qualquer impulso do id.

Um exemplo deste tipo de sonho é o de uma criança de dois anos que sonha na noite em que a mãe chegou da maternidade com o irmãozinho recém nascido. Em seu sonho o bebê vai embora. É óbvio que o conteúdo latente, um impulso infantil para com o recém nascido, é um desejo de livrar-se dele. O conteúdo manifesto trata-se de uma fantasia que simboliza o desejo ou impulso latente já satisfeito. A fantasia consiste essencialmente na satisfação do desejo ou impulso latente

 
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